
O Norte, o Nordeste - sem preconceito - são coisa dura de viver, de sobreviver, de conviver nesses brasís. Tanto é que a turma migra. Por natureza, por vocação, pela política que lhes corre nas veias; corre mais que aveia, mais que tudo.
Nada surge por acaso; nada cai de graça assim do céu. E nem tudo é o que parece, até prova em contrário. E nem tudo é porque é e tá acabado. Luiz Inácio, por exemplo, nem sabe ao certo em que dia o Brasil começou. Só sabe que seu pai o registrou dia 6 de outubro, mas que sua mãe, sempre disse que ele nasceu no dia 27”.

Sabe-se lá porque diabo a quatro, depois disso - que não é pouco - Seu Aristides embarcou na certeza de que a esperança vence o medo e migrou para trabalhar em São Paulo, na estiva do porto de Santos. E não se conhece até hoje, porque alguns de seus rebentos, muito tempo depois, preferem torcer para o Corinthians do que para o time que Pelé deixou de herança para Neymar e Paulo Ganso.
É o de menos. O que a História Oficial conta é lá no sertão de Pernambuco ficaram a mulher, Dona Eurídice, e os oito filhos. Todos feitos asssim, à moda Túlio Maravilha, que vai chegar aos mil gols sem saber como, por quê, nem pra quê.
Cansada do Cariri, porque a chiva não ia nem vinha, a mãe de Luiz Inácio e seus sete irmãos cumpriu a liturgia da retirança, igualzinha ao ritual de milhões de nordestinos. Pegou um pau-de-arara e, em 13 gloriosos dias, chegaram ao Guarujá, no litoral paulista.

De regresso à história oficial, preciso é que se diga que em 1956, Luizinho, a mãe e os irmãos se mudaram para a capital dos bandeirantes. A vida, no entanto, ficou naquele padrão assim igualzinho ao que ronda o cotidiano de quem precisa mais de Bolsa Famíglia do que de emprego de verdade.
Veja bem, morar num quarto do tamanho de um salário-mínimo atual, nos fundos de um bar, na Vila Carioca, só poderia ser premonição. O bar, é claro... Porque o resto foi adivinhação. E sorte, muiota sorte. Pura sorte.

Como todo sujeito que virou político, Luiz Inácio foi engraxate. Subiu logo na vida e aos 12 anos, descobriu para São Paulo, o Brasil e omundo a alegria de ser motoboy - sem moto - de uma, uma, uma... Adivinhe... Tinturaria. Foi quando então, inocentemente, descobriu o real valor de uma lavanderia.
Já taludão, aos 14 anos conseguiu o seu primeiro emprego com carteira assinada, numa metalúrgica. Nisso - é preciso que se diga - nem Brizola conseguiu chegar a tanto. Mas, o que interessa é que mesmo trabalhando 12 horas por dia, ele ainda conseguia tempo e saco para seguir um curso de torneiro mecânico no Senai.
Arrastou-se nele até 1963. Não lhe peça hoje provas, nem apostilas, porque ele não é, nem nunca foi homem de dar importância a essas bobageiras de diplomas. Mas vale uma carteirinha do PT que um título de doutor.
No glorioso ano de 1964, canudo embaixo do braço, prendeu-se a trabalhar na metalúrgica Aliança. Foi coito no esfíncter do artista! O Cara entrou numa baita fria de ter mesmo que pegar no trabalho pesado. Caiu no turno da noite.
E foi numa dessas que, a história oficial narra que um colega - sem a mínima convicão ideológica - cochilou e fechou a prensa transversal em cima da mão esquerda de Lula, que perdeu na hora o dedo mínimo. Ainda bem para a República era a mão esquerda e, por sorte, o inútil dedo mínimo.
Magnânimo, Luiz Inácio, jamais teve grandes interesses de revelar o nome do companheiro descuidado.
Como não tá morto quem peleia e como não podemo se entregar pros homem, Luiz Inácio ingressou nas Indústrias Villares. E já aproveitou a ocasião para entrar também no sindicalism. Nisso, ele se deixou levar pela mão do irmão mais velho, Frei Chico.
Foi o mesmo que cutucar leão com vara curta. Despertaram ali mesmo a sua paixão incontrolável pela política. No mesmo ano, movido por outra paixão casou com Maria de Lourdes, tão operária quanto ele.
Luiz Inácio conhece então a dor de ser viuvo. Sua Maria e o filho morrem durante o parto. Para compensar o Cara vira sindicalista dos pés à cabeça. Em 1972, chegou ao trono de primeiro-secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

Nesse meio tempo, entre 1975 e 1978, Luiz Inácio foi bipresidente do sindicato e liderou as greves do ABC. A mobilização dos metalúrgicos que sabiam trabalhar e outros tantos que sabiam discursar e vituperar, se inseriu no contexto da época, em pleno regime militar.
Aí baixou o espírito do Tiradentes e os trabalhadores se aperceberam da sua força política e - acreditem! - do anseio por liberdade e justiça. Muito maior e mais exacerbado que o sentimento da sociedade brasileira.

Naquele tempo ele não tinha a mania de inaugurar promessas, nem de lançar pedras fundamentais de projetos que não saem do papel. Parece mentira, mas naquele tempo era possível acreditar em Lula.
Nos anos 80, estertores da ditadura, Lula e o PT têm a cara de uma força nova na política brasileira. Em 83, Lula estava na cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Central Única dos Trabalhadores (CUT). No ano seguinte, o PT passa de passagem pela campanha “Diretas Já”.
Acredite, se quiser, em 1986, ano da Assembléia Nacional Constituinte, Lula se candidata a deputado federal. Abocanhou 650 mil votos, foi o mais votado do país.
Isso de ser o mais votado em São Paulo, cá pra nós e que ninguém nos leia nem escute, é mole. O Enéias mostrou isso e o Tiririca assinou em baixo e deu fé. Lula não gostou. Descobriu que havia 300 picaretas por lá e se mandou. Deveria ter ficado. Estava em casa, pô.
Isso de ser o mais votado em São Paulo, cá pra nós e que ninguém nos leia nem escute, é mole. O Enéias mostrou isso e o Tiririca assinou em baixo e deu fé. Lula não gostou. Descobriu que havia 300 picaretas por lá e se mandou. Deveria ter ficado. Estava em casa, pô.
Em 1989, depois de quase trinta anos de regime militar, os eleitores foram compulsoriamente às urnas para escolher o presidente da República.
Tocado por uma rede nacional de comitês populares, Lula meteu 31 milhões de votos, mas deu com os burros n'água e chegou em segundo lugar. Desenxabido, sem graça e insípido, não se candidatou a coisa nenhuma: dedicou-se ao “governo paralelo”. Quer dizer, ficou fazendo o que faz hoje no governo Dilma.
Eis que, de repente, chegou 1992 e Lula comandou a massa e balançou a pança mopvimentando o PT na campanha pelo “impeachment” do então presidente Fernando Collor.

Em 93 Lula desandou uma série de viagens pelo Brasil. Cobriu - talvez com dinheiro do próprio bolso - o país de ponta a ponta, com um alvo fixo: fazer amigos e influenciar pessoas. Vieram então as novas eleições para a Presidência. Lula tcarregou à tiracolo, em como vice, Aloizio Mercadante. A turma de FHC lançou o Plano Real. O PT perdeu o Palácio, mas elegeu os governadores do Distrito Federal e do Espírito Santo, quatro senadores, 50 deputados federais e 92 estaduais.
Vem então 1998 e o teimoso Lula concorre, pela terceira vez, à Presidência da República. Deu Fernando Henrique outra vez. Para o bem de Lula. Mas ele não sabia disso. O desastre do repeteco de FHC fez o PT crescee. Aí, entraram na cota petista os governos do Rio Grande do Sul, do Acre, do Mato Grosso do Sul,. O Partido dos Trabalhadores fez três senadores, 59 deputados federais e 90 estaduais.
Um ano depois, Lula faz parecer que é um dos líderes da “Marcha dos Cem Mil”, então a maior manifestação política nacional contra o governo FHC .
Em janeiro de 2001 Lula participou em Porto Alegre do Fórum Social Mundial, tido e havido como um contraponto crítico à miséria social provocada pela “globalização”. Começou-se, também, a anunciar projetos para áreas específicas da vida nacional: economia, política habitacional, combate à fome, entre outras prioridades.

Aí, você já sabe: Lula assumiu a presidência do Brasil e nunca mais largou. Em outubro de 2014, deve consolidar o seu quarto mandato consecutivo. Ah sim, a primeira-mulher-presidenta Dilma, deve votar nele.
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